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17/03/2026
E se eu falar sobre mim e parecer arrogante?
Eu entendo o medo bonapartista de tantos líderes.
Basta lembrar de alguns livros de história: em 1804, Napoleão Bonaparte se autocoroou. Ao colocar a coroa em sua própria cabeça e centralizar a narrativa de suas conquistas em si mesmo, o monarca foi, pouco a pouco, perdendo aliados e inspirando menos confiança.
No livro O Ego é Seu Maior Inimigo (Ego Is the Enemy), Ryan Holiday usa Bonaparte como um dos grandes exemplos de como o ego pode ser mais destrutivo do que qualquer inimigo externo — e de como uma fala que apenas afirma grandeza, sem gerar conexão emocional, tende a ser malvista pelo público.
Quando um líder me conta que tem receio de parecer arrogante ao falar da própria história, quase sempre percebo o medo vestido de modéstia. Existe a sensação de que contar conquistas pode soar como exibicionismo.
“Não é que eu não mereça a coroa — só não quero parecer a pessoa que a está colocando na própria cabeça”, esse líder poderia dizer.
Um artigo publicado pela Harvard Business School — Humblebragging: A Distinct and Ineffective Self-Presentation Strategy — reforça esse ponto: assumir méritos com falsa modéstia pode ser ainda pior do que expor feitos de forma direta, reduzindo tanto a simpatia quanto a percepção de competência do público.
A confusão entre autoridade e arrogância
Muitos líderes travam ao falar da própria trajetória porque confundem autoralidade com autopromoção. Esquecem uma das lições mais fundamentais da comunicação: não falar para as pessoas, mas com elas.
O público precisa se ver na sua narrativa. Precisa aprender algo ou, quem sabe, evitar erros que você já cometeu.
Se a sua história oferece ao menos um desses três elementos — identificação, aprendizado ou prevenção de erros — ela deixa de ser autopromoção e passa a ser uma lição autoral.
Na teoria, parece simples. Na prática, é mais desafiador.
Reconhecer lições universais dentro da própria trajetória exige um exercício sincero de reflexão. Mas, quando algumas etapas são seguidas e certas perguntas são feitas com honestidade, esse processo também se torna uma poderosa ferramenta de autoconhecimento.
3 perguntas de filtro antes de contar sua história
Antes de tudo, aprenda a olhar para sua vida como um livro com vários capítulos. Eles podem ser separados por momentos ou por áreas da vida — a escolha é sua.
O capítulo que você seleciona sempre depende do público e do contexto.
Imagine que um grupo de estudantes de administração visita a sua empresa e pede que você conte sua trajetória empreendedora.
Você pode mencionar brevemente o capítulo da infância ou a história da sua família. Mas o recorte principal provavelmente será o momento em que você começou no negócio.
Como decidir o que realmente vale a pena contar?
Além do tempo disponível, três perguntas funcionam como filtros essenciais:
1. Isso gera valor para quem ouve?
Se a resposta for “talvez”, corte.2. Qual é o aprendizado transferível?
Se não há uma lição clara, provavelmente ainda não é hora de contar essa parte da história.3. Estou contando para ensinar ou para impressionar?
Aqui, a honestidade precisa ser brutal.O que destrava não é falar menos sobre si.
É mudar o eixo da narrativa: sair do “eu fiz” para o “isso pode servir para você”.Sua história carrega aprendizados que podem mudar a trajetória de alguém. Mas isso só acontece quando você escolhe contá-la.
O silêncio sobre suas conquistas não protege ninguém, apenas priva quem precisa do seu caminho como referência.
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